
Rui Jorge Miranda Carvalho, de 36 anos, foi nomeado pela Federação
Internacional de Voleibol (FIVB) para os jogos de Voleibol de Praia,
tornando-se o segundo árbitro lusitano a receber tal distinção, após a
participação de Avelino Azevedo nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos
Estados Unidos, em 1996, ano em que o Voleibol de Praia se estreou como
modalidade olímpica e Portugal conseguiu um histórico 4.º lugar através
da dupla Miguel Maia / João Brenha.
A nomeação para o «maior espectáculo do mundo» surpreendeu o árbitro
internacional:
"Não estava à espera. Encontrava-me na escola e, como tive de ir à
papelaria, aproveitei para ver o meu e-mail. Foi quando vi o e-mail da
Federação Internacional de Voleibol com a minha nomeação para os Jogos
Olímpicos. Dei um salto tão grande que o próprio funcionário da
papelaria da escola perguntou se me tinha saído o Euromilhões.
«Não, saiu-me ainda melhor», respondi-lhe.
Obviamente, fiquei contentíssimo e com uma adrenalina enorme".
– É um sonho tornado realidade?
"Tive já a oportunidade de falar com outro árbitro amigo, que é
espanhol, que também foi nomeado pela primeira vez para os Jogos
Olímpicos, e ambos reconhecemos que é o sonho tornado realidade,
porque, desportivamente, não existe competição nenhuma no mundo que
esteja acima dos Jogos Olímpicos... É a cereja em cima do bolo.
Depois de duas fases finais do Campeonato do Mundo, nas quais as
prestações e os feed-backs foram bons, há sempre aquela esperança de
podermos vir a ser chamados para os Jogos Olímpicos, mas..."
– Para além do mérito pessoal, esta nomeação poderá ser o reflexo de
como a FIVB e a CEV vêem a arbitragem portuguesa?
"Sim. Penso que a arbitragem portuguesa tem evoluído muito nos últimos
anos. Tem estado num excelente nível em provas quer da Confederação
Europeia quer da Federação Internacional e a prová-lo estão as inúmeras
nomeações dos árbitros portugueses, seja para provas de Voleibol de
Praia seja para as de Indoor.
Isso significa que a arbitragem tem um bom nível e que tem merecido a
confiança dos mais altos responsáveis pelas instituições que regem a
modalidade a nível europeu e mundial. O que aumenta ainda mais a nossa
responsabilidade, pois estamos a representar o país e a arbitragem
portuguesa".
– Uma competição desta natureza implica uma preparação especial?
"A preparação que vou ter serão as etapas do Circuito Mundial de
Voleibol de Praia anteriores aos Jogos Olímpicos.
Acima de tudo, a forma de abordar uma competição com a dimensão e
projecção dos Jogos Olímpicos passa muito pela preparação psicológica da
própria pessoa. Não são tanto os aspectos técnicos porque esses estão
sempre lá, passa sim pelo controlo das emoções, das ansiedades e de
todos os pensamentos.
Isso é ponto-chave numa prova tão exigente como esta, quer para os
árbitros quer para os atletas".
Rui Carvalho vai ainda estar presente nas seguintes etapas do Circuito
Mundial de Voleibol de Praia (FIVB Beach Volley Swatch World Tour):
23.Abril.2012 - 30.Abr.2012 (
Open de Myslowice, Polónia)
21.Maio.2012 - 28.Mai.2012 (
Open de Praga, República Checa)
05.Junho.2012 - 13.Jun.2012 (
Grand Slam de Moscovo, Rússia)
24.Junho.2012 - 02.Jul.2012 (
Grand Slam de Stavanger, Noruega)
8.Julho.2012 - 16.Jul.2012 (
Grand Slam de Berlim, Alemanha)
Por seu turno, José Casanova, ex-árbitro internacional, estará nos Jogos
Olímpicos pela quarta vez consecutiva, após ter estado presente em
Sydney, Atenas e Pequim, na qualidade de Presidente do Comité de
Arbitragem para o Voleibol de Praia.
A APAV congratula o árbitro Rui Carvalho por esta nomeação para uma competição tão prestigiante como os Jogos Olímpicos. Mais uma vez a arbitragem portuguesa marcará presença num grande evento desportivo à escala mundial.
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