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Euronotícias
Já imaginou um jogo sem arbitro? Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça mas pense como seria difícil. Normalmente nunca se realça a exibição de um árbitro pela positiva mas sempre pela negativa. Será que os árbitros são devidamente compensados pela importância que têm num jogo?
Os árbitros são personnae non gratae, os álibis perfeitos para jogadores, treinadores e dirigentes justificarem os resultados obtidos. O Euronotícias fez uma comparação entre os árbitros de cinco modalidades (futebol, andebol, basquetebol, voleibol, e hóquei em patins), dando a conhecer quanto ganham e como se preparam.
No escalão máximo destas modalidades, os árbitros de futebol são aqueles que mais recebem pela função que exercem (660 € por jogo), enquanto os árbitros de andebol (150 a 200 €) e basquetebol (140 a 160 € x 3 árbitros) ganham um pouco menos; uns furos mais abaixo aparecem os de hóquei em patins (44,89 €) e por fim os de voleibol (42,50 €). Os juizes do desporto-rei ganham ainda 300 € por mês de subsídio, enquanto nenhuma outra modalidade dispõe desse "extra". No que diz respeito a deslocações, embora não tão discrepantes, são valores um pouco diferentes. Por quilómetro, um árbitro de futebol ganha 0,32 €, um de andebol ganha 0,25 €, de patinagem 0,21 €, enquanto um árbitro de basquetebol numa deslocação Lisboa-Porto, por exemplo, ganha 146,40 € (nesta modalidade não ganham ao Km porque a quantia está pré-definida consoante os destinos). Já os árbitros de voleibol têm um sistema diferente, uma vez que auferem uma quantia fixa (12,76 €) num raio de 25 quilómetros e variável quando a distância é maior. Os árbitros destas modalidades têm também ao dispor uma verba para a sua alimentação. Por cada refeição, um árbitro de futebol recebe 18,75 €, de andebol 18 €, de basquetebol 15 €, de hóquei em patins 12,47 € (numa deslocação a mais de 150 Km) e de voleibol 8,37 €. Estes valores são normalmente iguais para o segundo escalão das modalidades. No entanto, as remunerações por jogo são um pouco inferiores às do escalão máximo.
Numa simulação, o Euronotícias fez as contas dos valores que um árbitro de cada modalidade ganharia por mês, se apitasse só um jogo, onde teria de fazer uma deslocação de Lisboa ao Porto. Assim, um juiz de futebol ganharia cerca de 1150 €, um de andebol cerca de 170 €, um de basquetebol cerca de 340 €, um de hóquei em patins cerca de 150 € e um de voleibol cerca de 100 €. Como pode ser verificado, existem grandes diferenças entre as várias modalidades. Por exemplo, um árbitro de voleibol precisaria de fazer 11 jogos por mês para ganhar tanto como um juiz de futebol que fizesse apenas um jogo.
Lucílio Baptista, árbitro internacional de futebol, afirmou ao Euronotícias que nenhum colega seu anda na arbitragem apenas pelo dinheiro. "O prazer de dirigir um jogo e o prazer de ser árbitro contrapõe a questão financeira." Não se sente mal por ser o interveniente mais mal pago do jogo, defende apenas a profissionalização por um motivo de segurança. "Não posso estar dependente de uma grande penalidade, um fora de jogo ou um cartão vermelho e depois estar 1 ou 2 meses sem apitar", conclui. Para a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) os árbitros são "sempre mal pagos face aos valores envolvidos em cada jogo de futebol e que o árbitro, é a parle mais pequena da questão". Referência para o facto de os árbitros de futebol estarem sujeitos a descontos ao fisco."Os árbitros deviam ter uma correspondência com valores económicos da respectiva modalidade", diz António Sobral. Este árbitro de voleibol compreende que o futebol mexe milhões e que os homens do apito estão sujeitos a grande pressão, mas afirma que em Portugal "o voleibol já gera muito dinheiro que não tem correspondência na arbitragem. Há somas completamente ridículas", dando o exemplo de um juiz de linha que ganha apenas 9 €. "Durante muitos anos fomos o elo mais fraco da modalidade e não o queremos ser mais", conclui. A Associação Portuguesa de Árbitros de Voleibol (APAV) reconhece que há modalidades mais bem pagas e outras em que as compensações por este grande contributo para o desenvolvimento do desporto em Portugal é menos reconhecido. Os árbitros de voleibol para além do seu contributo para o desenvolvimento da modalidade, têm os seus impostos regularizados, factor que a APAV faz questão de referenciar, pois este factor não está bem esclarecido no desporto nacional.Para José Macau, árbitro internacional de andebol, a realidade entre o futebol e o andebol "é muito diferente. O futebol pode comportar o que os árbitros auferem e o andebol não, mas no futuro as coisas vão ser melhoradas"."Ser árbitro é um mal necessário", diz Rego Lamela, o melhor árbitro do ano de hóquei em patins, que afirma que "ninguém quer jogar sem árbitro". Este juiz considera a arbitragens uma missão, difícil, mas apela ao aparecimento de mais árbitros porque "se existirem mais há uma maior qualidade". Rui Valente, presidente dos Árbitros da Liga de Basquetebol pensa que "os valores pagos em relação às outras modalidades (com o futebol à parte) são razoáveis e equilibrados". Quanto à qualidade dos árbitros de basquetebol, o dirigente diz que é "inequívoca, pois na modalidade não há grandes polémicas".
Existem centros de treino com preparadores físicos onde os árbitros de futebol fazem a sua preparação para os jogos, assim como a avaliação duraste alguns períodos para a Comissão de Arbitragem saber como os árbitros estão. Este árbitros contam ainda com o apoio de núcleos onde treinam teórica e psicologicamente. Os árbitros das outras modalidades não têm qualquer treino específico para a sua actividade. Nos cursos a que se encontram sujeitos ao longo da sua carreira, adquirem conhecimentos em matérias que lhes permitem a manutenção de uma forma física adequada para o desempenho das suas funções.
27 de Fevereiro de 2003