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APAV - Associação Portuguesa de Árbitros de Voleibol

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Psicologia Experimental da Arbitragem de Voleibol Imprimir e-mail
Uma abordagem sobre o tema "Psicologia Experimental da Arbitragem de Voleibol e/ou outros Desportos" retirado da Internet. Vale a pena ler e reflectir.
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A Psicologia é  uma ciência difícil que pode ser encarada sob um objectivo individual ou colectivo. E neste último aspecto é muito importante porque como se sabe, a “sociedade” pode influenciar no comportamento psicológico do indivíduo. 

Pode-se então estabelecer que o aspecto psicológico da ARBITRAGEM consiste em estudar o comportamento mental do “meio” em que decorre o jogo e determinar a conduta conveniente. 

Mas este “meio” tem um comportamento mental que se repete tantas vezes, que é possível preparar e definir uma linha de conduta para resolver o problema cuja importância é sempre suficiente para que os maiores conhecedores das regras do jogo e da técnica de arbitragem cumpram a sua missão de árbitro. 

Qualquer que seja a precisão das linhas traçadas, este aspecto da arbitragem requer  um trabalho constante devido à extrema variabilidade dos elementos que podem perturbar,  a todo momento, as bases fundamentais. 

Os elementos essenciais do meio são: o árbitro,os seus auxiliares, os jogadores, os técnicos, os dirigentes, os jornalistas e o público. 

É evidente que estes elementos se perturbam entre si em proporções variáveis e a função do árbitro é, entre outras, servir de catalisador destes diferentes comportamentos derivados de processos influenciados, permanentemente, por choques mentais inconscientes. É esta função de catalisador psicológico que faz com que se diga, corretamente, que o árbitro é o “director do jogo”, e é da maneira como ele desempenha esta função que dependem o melhor ou pior desenrolar do jogo e o valor técnico e desportivo do jogo. 

Em relação aos JOGADORES E AOS TÉCNICOS, o árbitro deve ser compreensivo e humano mas  decidido a cumprir a sua missão e assegurar a integridade do encontro no qual os jogadores empenham o máximo da sua própria personalidade. É PARA ESTES SEGMENTOS QUE O ÁRBITRO DEVE DIRIGIR O SEU TRABALHO  EM PRIMEIRÍSSIMO LUGAR. 

Deve ter a consciência de que representa, no empenho de cada participante, o elemento de equilíbrio dotado de amplos poderes dos quais ele deve servir-se com prudência e oportunidade, na medida exata das circunstâncias que lhe permitam reprimir a excitação inevitável da disputa. É necessário, portanto, que se apresente em plena posse dos seus recursos, consciente da dignidade dos outros, assim como da sua própria, sem receios, mas sem despotismo nem idéias preconcebidas sobre os outros e sobre ele próprio. 

Em relação aos DIRIGENTES, deve ter a maior dignidade. Os dirigentes são indivíduos que, como ele, fazem sacrifícios e para quem um encontro é sempre uma prova a viver. São indivíduos que trabalham para o desporto, o que os torna credores de consideração. Em face disto, como para com os jogadores deve, na verdade, impor-se pela CORTESIA, DIGNIDADE e ISENÇÃO. 

Em relação aos JORNALISTAS, deve saber que eles são os críticos como existem em todas as actividades (política, económica, artística etc). 

Só reforçará  a sua força psicológica reconhecendo que eles são indivíduos que exercem uma profissão muitas vezes útil ao desporto, pelo que são credores de consideração que não se justifica certamente, por qualquer concessão publicitária nem por atitudes reservadas ou por antecipada desconfiança. 

Em relação ao PÚBLICO, deve, com todo o conhecimento de causa, prever que o desenrolar do jogo pode provocar reacções muitas vezes sem objectividade, quer por imparcialidade, quer por ignorância das regras. Deve mesmo não esquecer que há indivíduos que aproveitam um jogo para dar livre curso à sua exuberância. 
 

CAUSAS E EFEITOS: 

Sabe-se que todo o trabalho cerebral corresponde a um estado psíquico diferente, pela mesma razão que todas as modificações do estado psicológico perturba esse mesmo estado psíquico. Isto quer dizer que durante um jogo o esforço de cada participante vai modificando, igualmente, o problema psicológico que ele impõe a si próprio e aos outros participantes. 

Assim, o esforço, a fadiga e a tensão são elementos perturbadores do problema psicológico. 

Deve-se juntar a isto o fenómeno derivado da colectividade dos problemas psicológicos (conseqüência da reunião de indivíduos com os mesmos propósitos), imagine-se que dificuldades poderão nortear o encontro. Por isso, o aspecto psicológico da arbitragem é um permanente conhecimento dos fenómenos, para os julgar e dominar. 
 

O ÁRBITRO: 

Aquele que define questões por acordo das partes litigantes: aquele que dirige um jogo ou prova desportiva com direito de decisão quanto ao seu desenvolvimento ou aos factos disciplinares. 

É, pois, o indivíduo bem formado na mais alta acepção do termo, que deve-se dedicar à arbitragem. 

O indivíduo convencido de que pode vir a ocupar satisfatoriamente um lugar na arbitragem principia por estudar gradualmente as regras do jogo até dominar nos pormenores, preparar-se fisicamente para cumprir com as exigências da técnica a treinar-se assiduamente na aplicação das regras. 

Embora OS ÁRBITROS EXCEPCIONAIS TENHAM NASCIDO FADADOS PARA TÃO ELEVADA FUNÇÃO, pode-se atingir categoria razoável com dedicação. De qualquer modo, são indispensáveis: o interesse, o estudo e o método. 

O árbitro tem que estar atento à evolução do jogo e das regras, para se encontrar sempre inteiramente actualizado e dominando com segurança as causas do progresso para poder julgar os seus efeitos com critério esclarecido. 
 

FORMAÇÃO PSICOLÓGICA DOS ÁRBITROS: 

“O árbitro deve conhecer-se”. Com efeito, para ser árbitro, o indivíduo deve ser dotado de um perfil moral bem conhecido: espírito puro, respeito pela dignidade dos outros e pela própria; coragem, cortesia, justiça, calma, auto domínio    (equilíbrio emocional), modéstia etc. 

Por mais equilibrado que seja o indivíduo é indubitável que ninguém tem todas essas qualidades, no mesmo grau. É necessário, portanto, que quem se dedique à arbitragem se conheça, atentamente, para burilar a sua personalidade natural. 

Por outro lado, o árbitro deve manter-se inalterado psicologicamente, pois a sua personalidade pode ser alterada por elementos perturbadores, tais como: estado de saúde, preocupações de ordem particular e apreensão. 

Portanto, é necessário que, conhecendo-se bem, tenha franqueza, de levar em conta esses fenómenos essenciais para os dominar e reprimir os seus efeitos. 

Em relação aos seus auxiliares, o árbitro nunca deve esquecer-se que as personalidades destes podem manifestar-se diferentemente da sua, e que, em presença dos mesmos factos, podem ter reacções diferentes. 

Deve, portanto, procurar compreender as reacções de seus colegas a fim de agir em complemento. 
 
 
COMPORTAMENTO DO ÁRBITRO: 

Conhecida as diversas causas, definir o comportamento do árbitro consiste em traçar uma regra de atitudes práticas para identificar essas causas e estabelecer, conseqüentemente, uma relação entre ele e os diversos elementos do jogo. 

Deve apresentar-se perante os dirigentes, jornalistas e colegas perfeitamente conhecedor dos problemas da sua personalidade e das suas preocupações. 

Antes e depois do jogo, deve adoptar uma atitude de compreensão discreta e reservada, demonstrando impressão de firmeza e calma objectiva. 

MAS O MAIS DIFÍCIL É, INCONTESTAVELMENTE O JOGO PROPRIAMENTE DITO. 

Em primeiro lugar, é  necessário ter consciência da importância do equipamento. Evidentemente que o hábito não faz o monge, mas um vestuário correcto confere, antecipadamente uma classe e uma dignidade que impõem o árbitro a todos os participantes do jogo. 

Outro elemento importante do comportamento psicológico: o “silvo do apito do árbitro pode dar a impressão de agressividade ou de insegurança.  Ora, não é necessário nem uma coisa nem outra. 

As malditas “apitadelas” são tão ridículas como irritantes. E as malditas “APITADELAS” tímidas e hesitantes têm a semelhança chocante com o sussurar duma exposição tímida e pouco segura dos seus argumentos. 

É necessário que os “silvos de apitos” sejam nítidos e de acordo com as circunstâncias (enérgico, segundo o ritmo da acção).  Mas em todos os casos deve ser inflexível. Diz-se em todos os casos, que a apitadela deve paralisar os jogadores e a acção do jogo. Ao árbitro, depois de intervir assim, resta fazer conhecer a sua decisão e as suas conseqüências. É um dos comportamentos psicológicos mais importantes, porque os jogadores têm necessidade de saber o que o árbitro assinalou e qual a sanção aplicada. Os dirigentes, o público e os jornalistas devem ser, igualmente, informados do mesmo modo, e, finalmente, os auxiliares: os juízes de linha e os marcadores têm um certo número de actos a observar. 

Ora, não há maior motivo para confusão ou desordem do que a incompreensão da decisão tomada. 

Os auxiliares hesitam sobre o que devem fazer. 

O público toma várias opiniões. 

O marcador pede a individualização da decisão. 

Os jogadores, mais ou menos conscientes, procuram aproveitar-se da confusão. 

Quando um silvo de apito interrompe o jogo, os gestos devem ser: calmos, corteses, firmes, apropriados e bem visíveis para todos os interessados. 

Eliminar os gestos bruscos, nervosos, rápidos e confusos que mal se vêem, que dão a impressão de incerteza e embaraço. 

Enfim, diz-se que o árbitro deve fazer-se compreender tal como se usasse de palavras com clareza e sem nervosismo, mas sem lentidão excessiva. Com efeito, o árbitro é o condutor do jogo e deve diligenciar para que se processe dentro das regras e do seu espírito, pelo que não pode permitir aos participantes que as infrinjam. Deve, em todas as circunstâncias, agir de modo que o jogo se processe normalmente, não fazendo de si a figura principal do espetáculo.

Texto da autoria de:

Prof. Josebel Palmeirim
Membro da Comissão de Arbitragem da FIVB
Membro da Comissão de Arbitragem da CSV
Secretário Executivo da COBRAV
 
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